A Importância de Jesus na Terra


A vida pública de Jesus tem três fases: no começo, sua presença era suave e doce e, inicialmente, a Judéia recebeu Jesus como aquele prometido, o guerreiro belicoso que levaria os judeus, orgulhosos por ser o único povo monoteísta daquela época, a submeterem todos os outros povos, que se tornariam seus escravos. É quando Jesus se declara ser o enviado de Deus para levantar o ânimo das massas e conduzir as criaturas ao seu destino. Grande número de pessoas acorreu na esperança de se tornarem herdeiras da Terra e dominarem a consciência dos povos. Mas a mensagem era branda e Jesus, através do Sermão da Montanha se torna uma promessa a socorrer os corações debilitados. Este é o início do messianato de Jesus.

Logo depois, num segundo momento, a mensagem já não era tão suave. Era como uma terapia para socorrer as almas sufocadas pelos erros, dominadas pela insensatez e pelas enfermidades. Sua palavra, ao mesmo tempo em que cicatrizava as feridas do coração, também era a chibata contra os erros da índole humana. “Vá e não erre mais”.

Na terceira fase, sua mensagem era como um vendaval levantando as massas aturdidas, ao falar de um reino que deveria ser tomado de assalto, um reino interior que deveria ser visitado pelo sacrifício pessoal. E Jesus dizia: “Aquele que não renunciar a tudo para me seguir, não será digno de mim.” “Aquele que me negar diante dos homens, eu o negarei perante meu pai.” “Vá! Vende tudo que tens e dá-o aos pobres.” Esta era uma mensagem revolucionária que não compactuava com os vícios e nem se acomodava com as trivialidades humanas. E, por isso, ela começou a incomodar os poderes dominantes da região. Jesus anunciava uma Era Nova e um Homem Novo que nascia das cinzas do Homem Velho. Nesse tempo, a sordidez, a traição e a ignomínia deram-se as mãos para silenciar-lhe a voz. E foi graças a estes artifícios, que Judas o traiu, que Pedro o negou e que Jesus foi pregado na cruz da vergonha, tornando-se o cordeiro sacrificado para apaziguar o rebanho em rebeldia. E é neste instante que ele se torna um marco da História. Esse homem, que surgiu em um modesto rincão da Palestina, levantou a voz que atravessaria os milênios vindouros, modificando a estrutura da História da Humanidade, que passou a ser contada em dois períodos: Antes de Cristo e depois dele. Qual a força intrínseca de Jesus? Como os homens, nobres ou humildes, abandonaram suas crenças ancestrais para seguir as pegadas de Jesus, de sua mensagem libertadora e otimista? Que poder era esse que modificava o comportamento das criaturas fazendo-as abandonar riquezas, tronos e famílias? Que homem extraordinário é Jesus! Sua força não estava no Verbo, nas palavras que ele falava, mas na maneira como ele as falava. Sua voz penetrava na intimidade das almas e nunca mais era esquecida, transformando a essência do ser, levando-o a renovação íntima.

No entanto, quantos cometeram erros em seu nome. Seres astuciosos proclamaram a necessidade de guerras santas, levando à insensatez do crime em nome daquele que pregava a paz. Também os tribunais, arbitrariamente chamados de santos, extorquiram fortunas e vidas em nome de Jesus. Mas, sua mensagem, por ser uma filosofia profunda, levou o homem à verdadeira religião e, assim, superou tudo e sobreviveu ao longo dos séculos. Muitas doutrinas surgiram depois de Jesus, apresentando uma filosofia barata, mentirosa, forjada, rotuladas de religião, mas que levaram as criaturas ao materialismo, onde vigorava o interesse pessoal.

Com o Iluminismo do século XVIII, há o despertar das consciências e, da França para o mundo, se espalha o ideal de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, absorvido das lições admiráveis do Mestre da Galiléia que a todos chamava de irmãos, por sermos todos filhos do mesmo Pai de Amor.

E, assim, chegamos ao século XIX, com o advento do Espiritismo. O Consolador prometido por Jesus para nos esclarecer com a profundidade necessária para o melhor entendimento de sua mensagem. Ele nos diz que nada é proibido. Deus é o Criador: não castiga, nem premia. Nosso destino está em nossas mãos. Os erros são experiências e a dor é aprendizado. O Espírito é eterno e a vida é uma só, pois não há morte. A evolução do ser é contínua, necessitando de vários corpos nas diferentes encarnações neste Planeta, para alcançar a perfeição. Tudo isto o Espiritismo nos ensina, e muito mais. Ele nos faz ser mais humildes e nos leva à prática do perdão das ofensas, quando percebemos que somos todos imperfeitos.

Na verdade, o Espiritismo também nos ensina que somos passageiros insensatos desse mundo de provas, em que todos precisam trabalhar pela própria evolução através do auto aperfeiçoamento. Também nos ensina que somos a causa das nossas alegrias e tristezas, pois herdamos de nós mesmos os erros e acertos praticados ao longo das nossas vivências.
Com o Espiritismo, Jesus se faz mais próximo de nós, nos mostrando o caminho do amadurecimento espiritual, nos tirando da fase infantil das crendices e rituais, do materialismo disfarçado com as promessas e presentes em troca de favores do céu.

É chegada a hora da elevação das consciências, da queda dos véus da ignorância, dos preconceitos e intolerâncias para que realmente vivamos o Evangelho de Jesus na Terra. É hora de nos unirmos com humildade, sentindo vibrar dentro de nós o verdadeiro amor que não vê barreiras de espécie alguma, que se derrama ao redor, amparando, esclarecendo, socorrendo, iluminando, perdoando e, principalmente, exemplificando.

Fonte: Palestra de Divaldo Franco, no C.E. Caminhos da Redenção, Salvador, BA – 20/12/1994

Colaboração: Sônia LoPreti – Casa de Catarina

Publicação: 23/01/2012