A Paz sob a Ótica Espírita


O Espiritismo, é uma religião relativamente recente na face da Terra. Surgiu há exatamente 150 anos, na França, quando começaram a ser publicados os primeiros livros Espíritas, a partir de 1857, baseados nos ensinamentos ditados pelos Espíritos Iluminados com a finalidade de reavivar o Evangelho de Jesus nos corações dos homens, que naquela época estavam se tornando por demais materialistas. Esses ensinamentos, copiados em mais de 150 cadernos, foram estudados e codificados por um emérito cientista e pedagogo da época, Hippolite Léon Denizard Rivail, que se tornou conhecido pelo nome de Allan Kardec.

O Espiritismo baseia-se nos ensinamentos morais de Jesus, portanto, a noção de paz sob a ótica Espírita não se diferencia da visão de nenhuma outra religião visto que todas as religiões pregam, em sua base, o amor a Deus e ao nosso semelhante.

Todos nós desejamos a paz. Ao tomarmos conhecimento através dos noticiários, dos jornais, da mídia, de um modo geral, de todo os sofrimentos dos países em guerra, dos conflitos causados pelos terroristas, pelos fanáticos de todas as partes do mundo, podemos até nos perguntar como é que Deus permite uma coisa dessas. Na verdade, meus irmãos Deus não tem nada a ver com isso. Todo esse desequilíbrio por que passa o nosso Planeta, a nossa sociedade, é fruto do nosso próprio modo de ser. Vocês devem estar pensando: “- Mas o que eu tenho a ver com as guerras lá do outro lado do mundo”? Tudo! Todos nós somos responsáveis pelo mundo em que vivemos e se queremos um mundo de paz temos que começar a agir. Cada um de nós tem que fazer a sua parte.

É importante participar de “caminhadas pela paz”, de “campanhas pela paz” ou de “palestras pela paz”, porque isso desperta a atenção sobre o assunto, mobiliza as massas por um ideal. Entretanto de nada adianta carregar bandeiras se não agimos individualmente de acordo com o que pregamos. Se queremos a paz, temos que começar por nós. Temos que nos pacificar, superando nossas mazelas morais como o orgulho e a vaidade que nos tornam presunçosos e preconceituosos, o egoísmo que nos distancia dos nossos semelhantes, a prepotência, a maledicência, a intolerância. Temos de ter a coragem de nos encararmos no espelho e nos reconhecermos falíveis, e, ao fazermos esta constatação, devemos procurar superar essas nossas deficiências.

Quando nos reconhecemos portadores de tantas falhas morais, nos tornamos humildes e começamos a ver o nosso semelhante com outros olhos, com mais tolerância pelos seus erros. Mas de forma alguma podemos ser coniventes com suas faltas. Compreensivos, mas não coniventes. É necessário que mostremos o seu erro sem nenhuma intenção de crítica destrutiva ou humilhante, apenas para ajudar no seu crescimento. E isso meus irmãos é caridade. Caridade que se manifesta também no perdão das ofensas. Como sermos pacíficos guardando ódio e ressentimentos no coração? Até a Medicina nos mostra que guardar mágoas é prejudicial à saúde, à saúde do corpo e do Espírito, pois nos tornamos azedos, revoltados, vingativos. Deixamos de aproveitar os momentos alegres da vida por estarmos com os pensamentos cristalizados, presos, no nosso ressentimento. Não enxergamos mais nada...

Por outro lado, a vida se torna muito mais fácil e saudável, se não guardamos rancores, se perdoamos, se vemos naquele que nos ofende uma pessoa que se encontra em um desequilíbrio momentâneo, ou que ainda está em um estágio inferior de aprendizado na escola da vida. Temos que dar a esta pessoa o tempo que ela precisa para crescer, assim como Deus espera pelo nosso aperfeiçoamento.

Quando nós conseguimos desenvolver a paz dentro de nós, através do desabrochar dessas sementes virtuosas que carregamos em nossos corações, essa paz transborda nas nossas atitudes e passa a influenciar o nosso principal ambiente de convivência: A nossa família que é onde há a maior necessidade da prática da tolerância, da paciência, do perdão, da compreensão de que não somos iguais e onde cabe aos mais esclarecidos iluminar o caminho dos que ainda estão na ignorância. A família, meus irmãos é a célula básica da sociedade, é onde estão os nossos maiores desafios. Se desejamos a paz no mundo, temos que começar nos pacificando e à nossa família. Não só pelos ensinamentos necessários para os filhos, mas principalmente pelos exemplos de boa convivência dados pelos adultos. O exemplo educa mais do que mil palavras. E esse comportamento fraterno e afetuoso deve ultrapassar as paredes do lar e envolver a vizinhança, o ambiente de trabalho, os grupos de amigos, de lazer. Em todos os ambientes que freqüentarmos nós temos que ser a mesma pessoa, exemplificando, educando, pacificando.

Só assim alcançaremos realmente a paz no mundo. Como aquela pedra que é largada na água de um lago e cria ondulações concêntricas que vão crescendo e se espalhando ao redor até alcançarem as margens, multiplicando o gesto inicial. Assim é o resultado de nossas ações. Nós somos responsáveis por nossos atos, por que eles, por menores que sejam, têm conseqüências, boas ou más. De acordo com a ação teremos uma reação. Por isso, meus irmãos, muito cuidado com os seus pensamentos, suas palavras e atitudes. Cultivemos os bons pensamentos que nos trazem saúde, equilíbrio e criam um bom ambiente a nossa volta. Cuidemos de nossas palavras para que elas sejam sempre boas, verdadeiras e úteis. E prestemos atenção aos nossos atos para que eles sejam sempre construtivos e amorosos. Fazer tudo com amor, de boa vontade, com dedicação. É o ORAI E VIGIAI, meus irmãos. Orai a Deus em agradecimento ou pelo vosso semelhante, e vigiai vossos pensamentos, palavras e atos.

Jesus, o Mestre Amado, nos deu a orientação para todos os problemas de nossa vida: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.” Aí está a resposta, pois quem ama a Deus, ama e respeita a Sua Criação. Ama a si mesmo, ao seu corpo como presente de Deus, como o vaso sagrado que abriga seu Espírito, portanto, cuida bem da sua saúde física e moral. Ama seu semelhante por que vê nele seu irmão e trata-o da mesma forma como gostaria de ser tratado.

Esse é o caminho para a paz.

Colaboração: Sônia LoPreti – Casa de Catarina

Publicação: 28/02/2012